domingo, 31 de outubro de 2010

UM DIA PARA COMEMORAR !



O dia de hoje vai ficar para a História. 
Uma mulher, pela primeira vez, foi eleita presidente(a) do Brasil! 
Eu me lembro dos anos de euforia e participação dos estudantes e da juventude em geral, em todas as atividades políticas, culturais e acadêmicas, durante o governo do presidente João Goulart. Depois veio o fiasco do Jânio, vencendo o general Lott. Na época eu tinha 11 anos, morava no Grajaú, no Estado da Guanabara, e me sentia entusiasmado pela retórica do grande orador, isso ninguém pode negar, Carlos Lacerda. Achava o general Lott sem graça, um militar já idoso, meio sem jeito (só muitos anos depois foi que pude conhecer o grande homem que ele foi e de como conseguiu que Juscelino fosse eleito, tomasse posse e continuasse no governo) ... Depois veio a campanha do "varrre, varre vassourinha" e a distribuição de broches dourados e comícios na praça. Eu achava tudo fantástico e Lacerda conseguia transmitir credibilidade naquilo que dizia. Coitado de mim.... Não sabia de nada do que realmente estava acontecendo e quem eram realmente os protagonistas daquele enredo que eu estava presenciando. Eu e todas as pessoas da classe média e remediada (como se dizia na época), católicos apostólicos sim senhor, não passávamos de massa de manobra. Quando a preparação do golpe começou, com a retenção dos alimentos por parte dos fornecedores, provocando os quebra-quebra de armazéns e mercearias, o povo não sabia de nada, só sabia que queria comer e que o feijão, o arroz, o açúcar e a carne seca tinham sumido. E segundo o que diziam as rádios das emissoras associadas (de Assis Chateubriand) e da Globo, tudo era culpa dos comunistas, que pretendiam tomar o país e as nossas casas. Tão inocentes e estúpidos éramos todos. Servimos de gado de manobra para interesses maiores, que desconhecíamos, sei disso hoje. Mas na época, o golpe militar, chamado então com o pomposo nome de "Revolução", parecia que era certo, que resolveria os nossos problemas e que a vida voltaria a ser como era, com o feijão, o arroz, o açúcar e a carne seca. Depois, as coisas foram mudando, a máscara da "Revolução" foi caindo, e ficou claro para uma grande maioria que tínhamos sido vítimas de um golpe militar, patrocinado pelo governo americano e pela elite dominante do país. E depois vieram os anos de chumbo, com as prisões, as torturas, os assassinatos, o medo... Era a direita no poder. Enquanto FHC e Serra fugiam para o Chile e para a Europa, Dilma e muitos outros jovens idealistas, acreditaram que era seu dever patriótico lutar com todas as forças contra a ditadura. Foi presa, torturada e condenada. (O que foi um ato de bravura, a campanha sórdida de Serra, com o apoio da Veja, principalmente, transformou em ato desabonador, chamando-a de terrorista, no mais puro estilo Bush. O tiro saiu pela culatra.)
Depois de muitos anos de tramas e tentativas de golpe, durante todo o governo de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart, finalmente tinham conseguido botar a mão no tesouro cobiçado: o Brasil. E aí, depois de vinte e tantos anos, a situação começou a ficar insustentável e os militares tiveram que, finalmente, sair do poder. Claro que tudo foi planejado para que não houvesse qualquer possibilidade de revanche. Quem morreu foi anistiado e que torturou também. Foi armado todo um circo de cinismo e hipocrisia, em que um dos atores era o exemplo de "honestidade e idoniedade moral": Paulo Maluf, o tal que os paulistas continuam elegendo e que dizem até hoje que "roubava mas fazia". Com a presença do famoso "toninho malvadeza", e outros crápulas que lambiam as botas dos miitares, para enriquecerem cada vez mais. No fim encontraram a solução ideal: um presidente que já estava doente e provavelmente morreria logo e que daria lugar a outros que viriam depois e que levaram o Brasil à falência várias vezes, porque afinal os militares só tinham deixado dívidas com os bancos estrangeiros.Depois veio o "caçador de marajás", criado pela mídia, que graças à manipulação da Globo, que impediu a vitória quase certa de Lula, conseguiu se eleger  presidente. Mas não durou muito, porque em pouco tempo veio à tona a sujeira da qual ele fazia parte. E mais uma vez a direita e todo o aparato da mídia, devidamente financiada em grande parte por entidades e empresas estrangeiras, se mobilizou para impedir a eleição de Lula. Inventaram um sequestro e colocara a camisa do PT num dos sequestradores presos e a mídia alardeou aos quatro cantos que o PT tinha participação no sequestro. E com isso FHC conseguiu se eleger. Surfou na onda do plano econômico do governo de Itamar Franco e governou para os bancos, os investidores e tratou todos os problemas com números estatísticos. As pessoas, o povo, eram meros espectadores, a quem cabia unicamente pagar a conta mas não usufruir de quaisquer benefícios. Conforme combinado com os financiadores de sua campanha, promoveu o desmonte do estado brasileiro, entregando a preço vil, empresas construídas ao longo de décadas, que já haviam adquirido qualidade técnica e qualificação internacional. Entregou a empresas estrangeiras o que havia de melhor num mundo capitalista: serviços de comunicação e energia, transportes, mineração e loteou o solo prospectável entregando a empresas de petróleo estrangeiras a maior parte das nossas possíveis fontes de petróleo. E não satisfeito, aplicou um fator de redução nas aposentadorias, reduzindo os valores a serem pagos a quem a partir dali fosse se aposentar. E aumentou o limite de idade, chamando, em certa ocasião, os aposentados de "vagabundos". Só não falou de todas as polpudas aposentadorias que ele desfrutava. Depois disso, à custa de muito suborno e compra de votos, quebrando o Brasil pela terceira vez, conseguiu se reeleger. Com a mídia toda a seu favor (quem não lhe era favorável não recebia um centavo de publicidade governamental) foi fácil vitória. Socorreu o setor bancário, injetando bilhões de reais e permitindo que os bancos passassem a cobrar taxa mensal de manutenção de conta-corrente, além de cobrar por todos os outros serviços prestados. Não é à toa que o lucro dos bancos no Brasil é o maior do mundo. FHC inventou o paraíso dos bancos.
Depois de 8 anos de desemprego galopante, inflação altíssima e juros absurdos, crédito inexistente, além da criação de novos impostos e aumento de outros, tudo para pagar os juros do FMI, finalmente  teve que sair, com altíssimo nível de reprovação popular. Não consegui eleger o seu sucessor, apesar de toda a campanha suja que foi feita, inclusive com Regina Duarte indo para a televisão dizendo que tinha medo do que poderia acontecer ao Brasil se Lula fosse eleito. Idiota, ficou marcada durante muito anos e só consegui voltar há pouco tempo, para a Globo, claro. Para mim ela deixou de existir como artista e como pessoa. E Lula foi eleito, contra toda a raiva da direita fascista. Tiveram que engulir o "sapo barbudo", como dizia Leonel Brizola. Fizeram o maior jogo duro para passar o governo, não dando informações importantes. Contavam que Lula daria com os burros n'água e que estariam de volta ao poder logo, logo. Lêdo engano. Lula fez um excelente governo, foi reeleito e sairá com a aprovação de mais de 83% da população brasileira e é reconhecido mundialmente como um grande presidente e um grande líder político. E agora, novamente contra uma campanha do mais baixo nível e uma das mais ferozes que já se viu, tendo até o Papa (Ratzinger, aquele que apoiava os nazistas) se intrometido na política brasileira, fazendo campanha contra a candidatura de Dilma, conseguiu eleger sua sucessora.
FHC e todo o seu grupo de extrema direita tentaram varrer da nossa História a figura de Getúlio Vargas e de tudo que ele representou para o desenvolvimento do Brasil. Mas Lula trouxe de volta a figura de Getúlio, naquilo que ele tinha de bom, que era lutar por um Brasil maior e melhor. Agora temos esperança que Dilma dê continuidade ao que o presidente Lula vem fazendo e que faça mais e melhor.
Lamentavelmente, a campanha do Serra trouxe à tona o que de pior o ser humano tem: o ódio, o rancor, o racismo, a xenofobia, a intolerância, a truculência, a má fé. Vamos levar muito tempo para acalmar essas forças que estavam adormecidas. Mas com o tempo, vamos conseguir.
Hoje é um grande dia! A razão venceu a truculência e o ódio.